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02/04/2010

Máquinas Fotográfica Digital e bom senso

Vários fatores colaboraram com a proliferação das máquinas fotográficas digitais, porém junto com elas vieram a falta de bom senso no seu uso.
A falta de consciência das pessoas tem feito com que as fotos ganhem mais valor que Os Momentos. Assim multiplicam-se a quantidade de imagens em HDs e reduzem-se as reais experiências da vida. Na ânsia de fotografar as experiências perdemos os momentos não os registrando na memória.

Essa percepção surgiu durante um show, no Teatro do Shopping Bourbon Country em Porto Alegre. As luzes se apagaram e o show começou. Neste momento várias luzes voltaram a iluminar a platéia, pessoas absolutamente possessivas sacaram seus celulares e máquinas digitais para digitalizar o show ao invés de experimentá-lo. Os primeiros 15minutos de show foram de pessoas entusiasmadas fotografando o palco.
Está certo que esta é uma crítica pessoal e cada um aproveita, ou eterniza a vida como bem entender. Mas a crítica se estende à falta de bom senso das pessoas e suas máquinas digitais, ou melhor seus respectivos Flashs.

Sim, porque mesmo nos shows onde tudo está escuro as pessoas insistem em fotografar com flash e atrapalhar a visão do resto do teatro inteiro. Mesmo quando o flash não fará a menor diferença pois servirá apenas para iluminar a cabeça da pessoa da poltrona da frente (que quase nunca é famosa).
Quem faz curso de jornalismo ou fotografia logo aprende que há lugares que não se usa flash, pois O Momento não pode ser prejudicado, o fotógrafo deve ser o mais discreto possível para registrar e não oportunar o espetáculo e quem pagou para assisti-lo.
Mas mais triste que atrapalhar os demais com flashs inconvenientes é a mania que assolou as pessoas de ao invés de viver apenas fotografar.
Ao vermos uma cena linda sacamos a máquina fotográfica imediatamente e começamos a fotografá-la sem critério, de forma que quando a cena acaba tenhamos várias imagens, poucas com qualidade e nenhuma registrada e vivida pelos nossos olhos.

Na época do filme, quando se batia apenas uma foto, se escolhia o ângulo, a iluminação e se pensava se a cena merecia ser realmente registrada e só então fotografavamos. Um clique apenas. O resto do momento era registrado por olhos reais, vivos e atentos ao mundo.
Não se trata de nostalgia ou uma reverência à máquina analógica, mas um puxão de orelha para a vida, para viver cada momento de forma a chegar ao fim do dia e ter a impressão de ter realizado muitas coisas. Quantas vezes passamos o dia fazendo coisas e deitamos no travesseiro com a sensação de não termos feito absolutamente nada? Sempre que tiver essa sensação lembre que sim você fez coisas, mas não as viveu. Não prestou atenção, agiu no automático. Gerou um monte de bits que serão arquivados para sempre em algum HD do mundo que você raramente voltará a ver.
Então, na próxima vez, antes de sacar sua máquina digital, viva o momento, registre-o na memória e então fotografe.
Sim pois uma fotografia só tem valor quando ela nos gera uma lembrança e se não vivemos o momento, a imagem não trará nenhuma lembrança.

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